DIÁRIO DA MAMÃE: BERNARDO DOENTE, ESCOLA E VIAGEM

31 de agosto de 2016

Tanta coisa mudou desde o último diário de mamãe.

diario-nati-vozza-amigdalite

Bernardo cresceu, aprendeu novas palavras, ficou doente, viajou. Nem sei por onde começo.

A escola está lá, ótima… lá. Ahaahaha. Não tem jeito, ele fica doente 4 dias, vai na escola 2, depois fica novamente uns 3 dias doente, depois vai na escola 3, e por aí vamos vivendo a vida. Alternando gripe, catarros. Esse tempo tem castigado bastante Bernardo, ele está com um catarro permanente, e eu morro de medo de catarro, sabe? Sei que ele é um perigo eminente. Por enquanto está lá, bonzinho, só dando uma tossezinha leve, mas se vem uma febre, fico em estado de alerta! Ainda não veio, ou melhor veio, mas não foi culpa dele. Já vou contar melhor.

Semana passada Bernardo voltou da escola meio “amoado”, quietinho demais, com vontade de colo. Achei estranho, Bernardo é livre, animado, então, só fiquei de olho. No fim do dia ele vomitou e a febre começou. Fiquei com muito medo, devido ao catarro ( para quem não sabe, essa época da muita pneumonia em crianças. É esse catarro parado é muito perigoso, pode inflamar ) então, depois de uma noite difícil com febre que não baixava, levei no médico no primeiro minuto do dia. Graças a Deus não era o catarro, o médico até disse que ele estava com pouco catarro, eu que sou preocupada demais com isso. O problema era outro, amigdalite. A segunda infecção de garganta do Bernardo, em apenas 1 ano e 7 meses de vida.

Bernardo não é muito fácil para tomar remédio, faz show, grita, e as poucas vezes que parece acatar a decisão e deixa o remédio entrar, nada passa de teatro, pois no minuto seguinte, coloca tudo pra fora. Então, quando médico receitou um antibiótico 4x por dia durante 10 dias, já entrei em pânico. É muito estressante dar remédio para criança que se recusa a tomar remédio. 4x por dia então, o inferno na terra! Quem passa ou passou por isso vai me entender. O médico, que é amigo da família e conhece bem Bernardo, já falou que era melhor ir para injeção. Da outra vez também optei, e foi a decisão mais difícil que já tive que tomar. Pois sei que dói. Sei que ele é muito pequeno, meu coração despedaça em milhões e zilhões de estilhaços, mas ao mesmo tempo sei que estou fazendo bem para ele. A injeção é certeira, combate à infecção muito melhor do que um remédio oral que provavelmente não será administrado da melhor forma. Um antibiótico tem que ser tomado direito, se errar, se a dose certa não for administrada, será muito pior depois. Então lá fomos nós, com um bebezinho com 39 de febre, dar Benzetacil. Nossa, como dói coração de mãe, viu. Jesus!

Eu sempre tive amigdalite, a infância e adolescência toda. Meu pai é médico, então ele sempre preferiu dar Benzetacil do que antibiótico oral. Ele quem aplicava. Sei muito bem da dor, mas também sei que o efeito é rápido e certeiro.

Voltando no Bê, demos a injeção e o efeito não foi tão rápido quanto da primeira vez. Ele devia estar beeeem inflamado, pois dessa vez demorou 1 dia para a febre baixar. Essa noite ainda foi péssima, alternando remédios de febre de 4 em 4 horas. O dia seguinte também, mas a febre começou a abaixar, porém os sintomas de moleza e dor corporal ainda estavam lá. Ele estava mole e manhoso. E era o dia da nossa viagem para Nannai.

Pensem em uma pessoa dividida. EU!

Pensei milhões de vezes se cancelava a viagem. Liguei para amigos, médico. Pedi opiniões. Be não estava mais com febre, mas ainda não estava bom. Até que liguei para meu pai e minha mãe, e eles me acalmaram. Falaram: Viajem, amanhã ele estará melhor e vai se divertir, será a melhor maneira para ele ficar bom. Meu pai falou que a Benzetacil tem seu tempo de ação, que ela demora, e que provavelmente ele estaria melhor no dia seguinte.

Fomos!

Com o coração na mão, mas fomos.

E não é que eles estavam certos? Ele melhorou. Se divertiu. Ficou zero!

Essa foi a primeira viagem de avião do Be. Estava apreensiva com tudo, principalmente por ele estar ruim. Por ser uma viagem relativamente longa.

A ida foi realmente angustiante. Ele chorou o tempo todo. Tentava dormir, não conseguia. Chorava. Foi assim as 3:20h de voo até Recife. A volta, que estava bem e pleno ( rsrs ), dormiu o voo inteiro, não deu um pio.

Perdi o medo de voar com ele, perdi o medo dele incomodar os outros. Sinceramente rs. Desculpa aí quem não tem filho, mas criança chora!

Falando em choro, vamos entrar em um assunto polêmico?

Birras. Manha.

Bernardo tem excesso de personalidade. Não tem como culpá-lo, pois eu também tenho, o pai tem, e, sinceramente, prefiro assim. Só precisamos dosar e ensiná-lo a administrar suas vontades. Gosto de gente ativa, que sabe o que quer, que não é passiva. Mas não é fácil lidar. Eu estou aprendendo com ele, de verdade. Diariamente.

Estou lendo sobre o “Terrible Two” uma fase que começa exatamente agora, pouco tempo antes e muitas vezes meses depois dos 2 anos de idade. Eles estão crescendo, nos testando, aprendendo a lidar com frustrações. Bernardo não lida bem com não. Nem sempre, claro. Algumas vezes respeita, tranquilo. Outras vezes grita e se joga no chão. Estou fazendo um trabalho, de formiguinha, de tirar esse comportamento dele. Não quero que ele grite, ninguém grita com ele em casa. Ninguém. Não quero que ele se fruste tanto, eu tento, converso. Abaixo em seu campo de visão. Explico. Muitas vezes parece que ele entende, outras ele simplesmente abstrai e não acalma. Não escuta 1 palavra.

Eu me auto analiso muito, desde sempre, sou assim. Então tento buscar padrões nele, sabe? Eu sou uma pessoa explosiva. Um minuto estou alegre e feliz, e no outro posso estar ardendo de raiva por algum motivo. Odeio ser assim. Mas fico muito orgulhosa comigo mesma em saber que nunca, de verdade, nunca me descontrolei com Bernardo. Ele me testa. Grita. Se joga. Eu consigo me manter calma e falando baixo. Já pensei: Será que ele puxou isso de mim? Mas como? Nunca tive esse padrão na frente dele… Enfim. Impressionante como nós mães nos culpamos, né?

Já pensei que poderia ser forma dele chamar atenção. Mas logo jogo abaixo, pois somos pais extremamente presentes, nunca deixei Baba dormindo com ele. Dou almoço. Dou jantar. Sentamos no chão e brincamos. Esqueço tanto o celular quando estou com ele, que nem mostro tanto ele para vocês em snap e afins, quanto gostaria. Realmente nos doamos, realmente estamos presentes de corpo e alma.

Já tentei me culpar. De inúmeras formas. Hoje parei, analisei, vi que é uma fase. Ele continua precisando de mim, afinal, é uma fase, mas ela não pode virar um padrão de atitude. Por ele. Pelo seu próprio bem.

Eu sou tão dramática, que quem vê pensa que ele só faz isso. Mas pelo contrário, isso é apenas algo que está me incomodando. Mas Bernardo é amoroso. Dócil. Ama crianças e abraça e beija todas que passam por ele.

Final de semana passado fomos em um lugar para crianças pequenas brincarem, se chama Cadê Bebê, no Itaim. Lugar incrível para passar tempo de qualidade com o filho. Anotem a dica. Mas estávamos lá, há horas brincando com Bernardo, e o lugar estava super cheio, era um sábado de chuva, sem muita opção com filhos pequenos em SP rsrs. Tinha uma criança no cantinho, levando bronca da mãe por morder o amiguinho. Ele estava de castigo, chorando. Bernardo viu de longe. Foi se aproximando aos poucos. De pouquinho em pouquinho foi chegando mais perto do menino. Abaixou, em frente ao menino. Sorriu tão inocentemente. Abraçou e sentou do lado dele. Ficou lá, sentadinho do lado do menininho chorando.

Ele é sensível. Incrível isso. A mãe do menino não acreditou, ficou até emocionada rs.

Ela tentando educar o filho que está mordendo os amiguinhos. Eu preocupada com o meu que não lida bem com frustrações.

E então seguimos…

Fazemos o que o coração diz. Tentamos dosar broncas e amor. Errando. Acertando. Sem certeza alguma. A não ser a de que estamos fazendo o nosso melhor.

Beijos com carinho,

Nati e Bê, 1 ano e 8 meses ♥️

Compartilhe:

13 comentários

Deixe uma resposta

  1. Nati é uma fase sim minha afilhada passou por isso, e te garanto passa hehe só esperar mesmo. Nati e sua avó como está você não comentou mais nada depois da viagem.

  2. Ahhh que coisa mais linda a atitude do Bê! <3

  3. Nat, como seus diários são um alívio… Sabe aquela história que toda criança é igual, só muda o endereço? Então, eu via outras crianças fazendo coisas que achava ruim, o meu acabou fazendo igual e vejo que o Be também está fazendo e, sabe, isso é o desenvolvimento humano! Não precisamos nos cobrar nem achar que somos mães ruins ou temos filhos “birrentos” porque esse é o processo! Nossos filhos ainda passarão por várias fases, nós substituiremos nossas dúvidas e, no fim das contas, a única certeza mesmo que nós teremos sempre é de que eles nos fazem as mulheres mais felizes do mundo! Curta muito seu momento!

  4. Nati,
    mais uma vez me emociono ao ler suas verdades, e te ver tão transparente nas duvidas quanto a criação do Bernardo!
    Morei no mesmo predio que você em Campinas, vaarios anos atras, e até escrevi aqui em um outro diário de Mamãe, também chorando rs. Você respondeu tão fofa, e na correria da vida de mãe, profissional e tudo mais não escrevi mais, mas continuei lendo, acompanhando. Falei de como era legal ver sua evolução como pessoa, profissional e ainda mais agora minha admiração por você como mãe. Fica claro na maneira como você escreve, toda a sua intensidade, as dificuldades ate, as culpas…mas ao mesmo tempo a leveza com que você procura tratar suas próprias neuras rs.
    Acho que é bem por ai mesmo, ter a certeza de que estamos fazendo o nosso melhor, na tentativa de fazer o melhor por eles sempre! Eu sempre fui dessas que gosta de controlar tudo, e ai me vi completamente sem controle quando tive o meu”bebê” quase 10 anos atrás!
    É tudo no tempo deles, mesmo. E é lindo ser assim! A gente aprende…
    beijos em você e no pequeno-de-tamanho-grande-na-personalidade rs

  5. Oi Nati. Identifiquei-me totalmente com esse diário. Não por causa dos probleminhas com a saúde ou escola, pois minha filha ainda não frequenta escolinha, mas por causa das birras. Ela é uma criança adorável, super carinhosa, mas tem temperamento forte, e tem problemas em ouvir um não. Fico surtada, pois mudo muito rápido de temperamento e sofro para manter a calma com ela. Mas tenho feito de tudo para ensinar o que é correto. (Também sou mãe de uma menina de 15 anos e sei o quanto é difícil educar). Ela está com 2 anos e 8 meses e continuo com esperança que seja uma fase. Por isso sei bem o que vc está passando. Bjinho e vamos torcer pra que nossas crianças fiquem mais calminhas!!

  6. Que delícia de diário!
    Fiquei muito imaginando a cena do parque!
    Que amor de menino!
    Vi no snap hoje vocês brincando de esconder e, também amei!
    Vocês são lindos!
    Beijos

  7. eh assim mesmo Nati, a gente se culpa, quer sempre fazer o certo, minha filha faz dois anos mas que vem, e a espertina ja esta me testando. Hoje mesmo, ela estava na caminha dela batendo os pés na parede, não falei nada, so olhei p ela fixamente e ela aos poucos foi parando. Tem horas que eles nos surpreende. Adoro seu blog, sigo desde o início, mas não sou mito de comentar.
    Mas doi o coração em ver eles doentinhos, depois q minha filha foi p “daycare”, ela fica doente uma vez por mês, mas eh a vida. Temos que trabalhar e deixar eles “viverem”.

  8. Amei o diário! Meu bebê está com 1 ano e 6 meses… estou me preparando para essa fase, que, realmente existe e “todas” as crianças passam por ela. Tenho outro filho de 7 anos, e hoje, sinceramente, me cansa muito mais emocionalmente do que o irmão menor. A inexperiência assusta, mas é sempre gratificante fazer descobertas por eles. ( ps: e o mais assustador é que cada filho é realmente de um jeito! ) Beijos!

  9. Ai Nati, como gosto dos seus diários!! Acho tão transparente!!! Acredita que chorei com o relato do Bê com o menininho de castigo? Como ele é fofo!!!!!!! E isso, nada mais é, do que o reflexo da criação dos pais! Vcs estão no caminho certo!! Sabe o que mais gosto nos seus relatos? O fato de vc colocar abertamente todos os descontroles (ou não, como vc relatou) e exageros de uma sagitariana. Tb sou, daquelas natas mesmo e estou na minha primeira gravidez (8 meses já), morrendo de medo de que não consiga controlar esses acessos de sagitariana! Ouvir você falar que nunca se descontrolou com o Bê já me dá um certo alívio, juro!! E por fim, sei que vc é filha de médico, com certeza está mega amparada e não queria ser aquelas pessoas chatas que ficam dando conselhos (detesto!!!!!). Entenda, por favor, como um compatilhamento de experiência: vc já pensou em tentar a homeopatia? Não digo tratamento exclusivo!! Mas em casa sempre tivemos muitos problemas respiratórios. Meu pai, minhas irmãs, eu, sobrinho….. As coisas melhoraram bastante depois desse tipo de tratamento…. tratamos com alopatia, mas temos tb uma homeopata que sempre nos dá uma salvada! Segundo minha mãe, minha dor de garganta e ouvido eternos na infância só foram curados com a homeopatia!

    Um beijo carinhoso e parabéns pelo blog, especialmente pelos diários e pelo Bezinho!!!!!

  10. Nossa como me emociono lendo os seus diários! Mesmo tendo vidas tão diferentes, somos tão iguais quando exercemos o nosso mais prazeroso e exigente papel: o de ser MÃE !!!! São tantos medos e cobranças, né? Mas no fim , o que realmente conta , é o AMOR !!!! Bjs

  11. Nati, sei que não tem jeito, mãe vai se preocupar mesmo, mas fique mais tranquila. Eu também tive problemas de garganta a infância inteira e tomei muita injeção. Depois passou, nunca mais tive nada. Sinceramente, acho até melhor que tenha sido pequena, eu nem me lembro de dor, de nada. Minha mãe que sofreu, tadinha! E quanto à personalidade do Bernardo, não se cobre tanto! Olha, meu marido é neurocientista e essa ideia que foi muito difundida, e que as crianças são tábulas rasas, totalmente moldáveis, ninguém defende mais. Somos fruto de nurture x nature o tempo todo. Claro que você conseguirá educá-lo da melhor forma possível e ele vai aprender muito, mas tem componentes genéticos que vêm do nascimento. Espero ter ajudado de alguma forma! Ele é lindo, fofo e achei doce a história do parquinho. Beijos

  12. Nossa, tinha lido este post, mas depois fiquei pensando muito no que você escreveu.
    Tenho uma filha de 5 anos e outra de 2 aninhos.
    A mais velha estava febril e no mesmo dia resolvi levá-la para o Pronto Socorro já que era véspera de feriado. Geralmente espero dar umas 24 horas da febre para dar tempo de aparecer alguma coisa.
    No Pronto Atendimento da minha cidade diagnosticaram com uma simples dor de garganta e passaram antibiótico. Depois de 2 dias, a febre era de 39ºC e ela estava muito abatida e prostada.
    Não tive dúvida e fomos para SP num hospital muito conhecido. Lá fizeram vários exames e descobriram que era pneumonia. Um susto pra mim, pois foi tudo muito rápido.
    Se eu eu meu marido não tivéssemos agido rápido, poderia ter acontecido algo pior.
    Graças à Deus, ela está bem.
    Nós, mães e pais, temos um sexto sentido e temos que ficar atenta a esses sinais.
    Sua família é linda e seu blog um sucesso!!!!
    Muita sorte e saúde para você.