DIÁRIO DA MAMÃE: DRIBLANDO O RELÓGIO

1 de abril de 2016

Demorei pois estava (quer dizer, ainda estamos ) na loucura da mudança de apartamento, com criança pequena e obras. Foi uma loucura, precisei separar as coisas antigas dele, doar alguma parte e guardar outra. Mesmo contratando empresa de mudança, tem coisa que só nós podemos fazer. Tudo isso misturado com loucura de coleção nova da NV, eventos e fotos do blog, reuniões… Essas ultimas semanas resumem bem a minha vida: De cabeça para baixo! aaahahaha

maes-que-trabalham

Tudo aqui é intenso, eu amo demais o que faço, tanto no blog, quanto na NV. As funções são diferentes, mas se encontram em alguma hora. Na NV eu sou a diretora criativa, ou seja, dou a direção que a nova coleção deve seguir. Sento com a minha estiista querida e bolamos juntas a nova coleção. Pesquisamos, pensamos, tudo a 4 mãos. É muita responsabilidade. Uma marca pode acabar se a coleção for errada, se as peças vierem com defeito, se não for o que as pessoas queiram usar. Mas tudo é feito com tanta antecedência, que não temos certeza do que as pessoas vão realmente querer usar, meses à frente. A Vic, estilista, desenha, faz as fichas técnicas, vê tecidos, aviamentos, e eu aprovo, provo as pilotagens, vejo os tecidos e os aviamentos com ela. Cada uma tem seu papel, mas no fim, fazemos de “um tudo”. Faço também o marketing da marca, penso nas ações que podemos fazer, quem contratar, quem presentear. Penso também nas fotos do lookbook, atendo alguns clientes no showroom, vou a eventos de lojas parceiras que vendem NV, faço fotos para NV, como disse, DE UM TUDO, mesmo. Meu coração está nisso! Meu dinheiro, claro, também rs. A NV começou com a ajuda do Glam, sem ele ela não existiria em hipótese alguma. Ela sempre foi um sonho pra mim, mas só o blog deu a visibilidade para uma marca tão nova, sem investidor, com dinheiro do bolso, crescer tanto em tão pouco tempo. Toda essa introdução foi apenas para dizer que ela é meu segundo filho, ou meu terceiro, maybe (o blog também, claro). Mas são todos filhos amados e que precisam de cuidado.

Meu filho depende e precisa de mim, mas ele também precisa que as minhas empresas dêem certo. Eu preciso aprender a me virar nos 30, a me dividir em três ,e, o mais difícil, a não me cobrar por isso. Acredito que estou começando a conseguir.

Sempre fiz, sempre tentei, mas a cobrança sempre foi inevitável. O choro, ao sair de casa e deixá-lo lá, era algo quase que diário, mas entrava no carro, ligava alto a minha música e pensava: Meu dia precisa acontecer! Eu preciso render! Eu preciso fazer acontecer!

Além de precisar, eu também queria, e isso foi algo que eu demorei a conseguir falar em voz alta, em admitir para mim mesma: EU QUERIA TRABALHAR, eu não apenas precisava, eu queria. Isso me fazia ( me faz ) bem. Eu me sinto viva, me sinto útil, me sinto orgulhosa. Não há vergonha alguma nisso. Demorei a entender que o choro ao sair de casa faz parte, mas isso não quer dizer que eu não queira sair. Ou que querer sair, não quer dizer que eu sou uma mãe ruim ou negligente. Isso ainda está sendo libertador. Confesso. Creio que seja tudo no seu tempo… Pelo menos por aqui está sendo assim, e a cobrança anda sendo cada dia menor e cada dia menos dura.

Acredito também que isso se deva ao fato de trabalhar em algo que amo, de ter tesão no que faço e de sentir um orgulho muito grande do que consegui conquistar. Talvez também tenha uma pontinha de necessidade e cobrança, claro, de saber que tudo que faço, depende exclusivamente de mim. Não consigo delegar, não consigo mandar ninguém tirar foto no meu lugar. Não consigo mandar ninguém ao evento por mim. Não consigo contratar 4 estilistas e fechar os olhos ( já fiz isso uma vez, confesso, e quase acabamos por isso!!! ). Não consigo mandar ninguém escrever textos por mim. Não consigo mandar ninguém em reuniões por mim. Simplesmente depende de mim. Isso já foi um fardo, confesso. Quase fui ao divã por isso. Mas acho que consegui sozinha ver o lado bom e deixar de lado o suposto fardo. O que é delegável, eu delego, com prazer. O financeiro e a diretoria da empresa está maravilhosamente com meu marido, ufa. Consigo fechar os olhos e dormir tranquila. Pois outra coisa que acaba com uma empresa é isso: Má gestão! E tenho uma equipe incrível, que veste a camisa de verdade, e isso não tem preço…

Finalmente, com a “casa em ordem”, consigo me doar ao meu pequeno tranquila. Em horas pouco ortodoxas, às vezes uma manhã toda, às vezes 2 horinhas do almoço, às vezes só à noite, às vezes só o vejo na mamadeira da madrugada, às vezes um dia todinho… Parar com a cobrança está sendo libertador, está rendendo muito mais o meu tempo de qualidade com o pequeno, e me chamem de doida, mas sinto que até ele está mais libertado…

Estou escrevendo esse post, deitada na cama, com ele dormindo do meu lado. Tive 3 horas livres hoje (trabalhei a parte da manhã, voltei para almoço, à noite tenho evento da Glamour), e foram deliciosas. Dei o almoço, brincamos na sala, vimos Tv juntinhos. Agora preciso desligar o computador correndo, pois a Maquiadora chegou, está me esperando na sala, enquanto termino isso aqui rsrs. Mas não quis ir até o cabeleireiro, pois já vou ficar a noite toda fora, então preferi me arrumar em casa, pertinho dele. Não tem jeito, o que é arranjável, arranjado está ahahahaha. Hoje tem prêmio da glamour, é delicioso, mas não deixa de ser trabalho. Preciso correr!!!!!

Depois volto e conto mais…

Beijos com amor,

Nati e Bê, 15 meses, andando, correndo, 12 dentinhos, e falando MÃ-MÃ-MÃ =)

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10 comentários

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  1. Nati, nunca comento, mas senti necessidade de, nesse post, te falar que você tá escrevendo cada vez melhor. Muito bom 😉 modéstia à parte, isso é vindo de uma editora de texto viu? haha beijos!!

  2. É isso ai Nati!!!
    A maternidade precisa ser desmistificada!! Outra coisa importante é que além de mãe e profissional, a Nati tb precisa existir!
    Semana que vem vou viajar pela 1a vez sem a minha filha. Serão 10 dias e confesso que os sentimentos se misturam. Horas tenho angústia de ficar tanto tempo longe e horas sinto um alívio de poder me curtir, na boa, com muito tempo pra mim (sinceridades).
    E é isso, somos mães, somos profissionais, somos pessoas que gostam de várias outras coisas…vamos vivendo!!
    Ale Garattoni colocou 1x no seu blog um texto muito legal sobre a maternidade, fica aqui um trecho que eu tb concordo muito:
    …” O peso em geral está muito mais nas expectativas e nas dificuldades de atender o que se julga o certo (em detrimento das suas próprias convicções e possibilidades) do que no dia a dia em si…
    … Mas eu escolho ser julgada em vez de sacrificar minha sanidade mental. Porque no fim é ela – e não o número de sacrifícios – que vai fazer de mim a melhor mãe para minha filha…”

    Beijo Nati, #tamojunta kkk

  3. oi, acompanho seu blog a muito tempo, e os posts que mais adoro são os seus diários, acho muito legal você se abrir assim com suas leitoras, mostrando que é tão normal quanto nós, bjos

  4. Oi Nati,
    Ctza esse eh o dilema de muitas mamaes ,mas mesmo sendo maes não podemos esquecer de nõs como pessoa, mulher, profissional! seu filho vai ter muito orgulho da mamae dedicada que ele tem! bjao

  5. Minha blogueira MAIS linda do Core, amo seus diários, tenho uma curiosidade incrível de ver seu closed mostra?? hahahahah faz um post sobre ele :) … Estou procurando o vídeo com sua rotina que gravou com a Bru não achei… Beijosss Amo vc !

  6. Por Daniela conte cardoso

    Lindo ler seu texto com tanto amor, tanto carinho, tanta ternura. Esse é o nosso dia a dia, algumas partes diferentes mas no final é tudo assim mesmo, que você falou. Parabéns mamãe, empresária, esposa, dona do lar, filha e amiga. Parabéns pra nós mulheres que fazemos de tudo um pouco dar tudo certo!!!! Parabéns Nati!!!!